E se eu lhe dissesse que uma das lições mais difíceis que pode ter que aprender na vida, é a lição do desapego? Há quem resista a deixar ir o que dói. Mas o tempo e a experiência fizeram-me entender que deixar ir não é desistir, não é um ato de fraqueza, mas sim de força e crescimento: há coisas que simplesmente não estão destinadas a ser, muitas vezes, porque o universo tem algo melhor reservado para si.
Então mude a perspetiva. Veja com o coração. Deixar ir, na realidade, faz parte da roda da vida, aquela na qual cada passo que dá adiante serve para deixar para trás o que não pode mais ocupar o seu presente, o que o(a) magoa ou o que acaba por impedir que alcance a sua felicidade.
Deixar-se contagiar pela nostalgia é enriquecedor e inspirador, mas reviver de forma perpétua o que já deixou ir e está no passado, longe de permitir o crescimento, na verdade impede o caminho, como pedras que uma vez ou outra lhe causam dor e sofrimento.
O que antes foi bom de repente pode deixar de lhe fazer bem, pode passar a trazer sofrimento, e até quem disse gostar de si pode deixá-lo ir, a cada dia um pouco mais, como quem vai cada dia arrancando uma pétala da flor até deixá-la apenas com os seus espinhos.
Liberte-se, avance e assuma a aprendizagem do que vivenciou, como quem conserva um tesouro precioso: enriqueça por dentro e transmute para fora. Recolha os ensinamentos e siga o caminho mais indicado, aquele por onde surgem as oportunidades de equilíbrio.
Uma boa autoestima e uma atitude forte que defenda a sua própria dignidade será sempre o que o(a) guiará para longe de situações padronizadas de baixa vibração. Amadurecer é deixar ir quem não quer ficar. Amadurecer é deixar ir quem não o(a) valoriza. Deixar ir é deixar vir... é estar apto(a) para receber o que o universo tem de melhor para si.
Ninguém nasce sabendo de tudo, nem trazendo consigo um manual para as decisões perfeitas, aquelas que nunca acarretarão erros. Viver é tentar, iniciar, arriscar e também enganar-se, sobre pessoas e situações, e é aí que deve considerar os seguintes passos:
- Não fique zangado(a): não encha o seu coração de raiva nem a sua mente com rancor. Deixar ir é uma arte, e deve ser feito de forma pacífica e em paz. Só então se permitirá ser livre, descobrindo que dia após dia a dor é cada vez menor;
- Aprenda a aceitar: aceite que toda a experiência vale a pena porque lhe transmite ensinamentos valiosos sobre os outros e sobre si mesmo(a). Recorde esses ensinamentos, porque quem nega e esquece não cura e não aprende;
- Acredite que algum dia tudo fará sentido: o amanhã trará coisas, situações e pessoas muito melhores porque, lembre-se sempre, que tudo acontece por alguma razão.
Deixar ir é crescimento...
E se não souber por onde ir, pergunte ao seu coração. É através dele que se faz o caminho e se tomam as melhores decisões.
Muita luz,
Filomena Silva

